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Riscos sanitários e sociais da realização das eleições municipais esse ano são discutidos pela Aprece

Como garantir a segurança da população durante as Eleições Municipais 2020, em meio à pandemia da Covid-19? Quais serão as consequências sociais e sanitárias da realização do pleito sem a certeza de especialistas no que diz respeito ao controle da doença ou à possibilidade de uma segunda ou terceira onda de contaminação pelo coronavírus? Nenhuma dessas perguntas tem resposta certa e irrefutável, mas elas fizeram parte da edição da Quinta com Debate, realizada, na manhã deste dia 25 de junho, no canal da Aprece no YouTube.

Intitulada As Eleições Municipais 2020 em A videoconferência contou com a participação médico epidemiologista, Antonio Silva Lima Neto; do médico infectologista, Ivo Castelo Branco; além do presidente da Aprece, Nilson Diniz; e do consultor em Saúde da entidade, João Ananias Vasconcelos, ambos também médicos.

O cenário de incerteza e a preocupação sobre o controle da pandemia sob o ponto de vista da ciência deu a tônica do debate. A necessidade de adequações e alternativas para viabilizar a segurança sanitária de eleitores, candidatos e daqueles que trabalham nas eleições também. Para Nilson Diniz, o valor da vida e o valor da democracia estão no cerne da temática e o objetivo da Aprece é discutir se há possibilidades, do ponto de vista científico, para as eleições nesse ano. “É preciso sempre garantir os direitos democráticos da população, mas é fundamental priorizar a vida de todos. Para além das leis imposta pelos homens, estão as leis da natureza

De acordo com Antonio Silva Lima Neto, a introdução do coronavírus no Ceará se deu de forma precoce e, inicialmente, muito concentrada na capital. Ele fez uma explanação sobre o caminho de propagação da Covid-19 em Fortaleza. O médico ressaltou a dificuldade da decisão pelo isolamento social rígido, mas fez questão de salientar que o chamado lockdown foi fundamental para estabilizar a velocidade de contaminação na capital.

Sobre a proposta de adiamento das eleições defendia no Congresso Nacional, Antonio Silva Lima, afirmou que, mesmo assim, a maneira dos candidatos se comunicarem precisará mudar drasticamente, pois é impossível garantir a segurança sanitária da população com comícios e demais aglomerações que tradicionalmente existem no período de campanha.  “Não vislumbro, como epidemiologista, que o adiamento de três, seis ou mesmo oito meses das eleições possa garantir a segurança para a população. Não temos como avaliar qual será o risco social e sanitário nem afirmar que poderá haver o contato corpo a corpo inerente a uma campanha eleitoral”, sentenciou o médico

Para Ivo Castelo Branco, o mais preocupante do atual cenário é o pouco conhecimento atualmente existente sobre o novo coronavírus. “Nenhuma outra doença, tem características como a Covid-19. Os próprios testes existentes hoje não são considerados ideais. Não se sabe exatamente como funciona a questão da imunidade”, pontuou o médico, afirmando que as vacinas não serão disponibilizadas logo e em grande escala. Para Ivo Castelo Branco é muito difícil fazer projeções e as eleições não poderão ser feitas como normalmente acontecem e isso, certamente, irá impactar, de alguma foram, a própria democracia e a igualdade de oportunidades entre os candidatos. Não é simplesmente trocar a data, mas ter criatividade e responsabilidade para fazer as mudanças necessárias para tentar oferecer mais segurança, mesmo assim, correndo riscos”, disse.

 

 

Por Coordenadoria de Comunicação e Marketing (COMAK/Aprece)


25 de junho de 2020


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