STN altera regras contábeis para identificação de emendas parlamentares nos municípios

CONTABILIDADE PÚBLICA
13 de março de 2026

Os municípios brasileiros devem ficar atentos às mudanças nas regras de identificação contábil de recursos provenientes de emendas parlamentares. A medida foi estabelecida pela Portaria 636/2026, publicada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que altera a estrutura de codificação da classificação por fonte ou destinação de recursos utilizada pelos entes locais.

A norma institui a chamada Informação Complementar de Emendas Parlamentares (EP) e atualiza os códigos de acompanhamento da execução orçamentária, com o objetivo de aprimorar a identificação contábil das despesas realizadas com recursos transferidos por meio de emendas.

Com a nova regra, passam a existir códigos contábeis específicos para identificar os diferentes tipos de emendas parlamentares, como as individuais, de bancada, de comissão e de relator. Esses códigos deverão ser utilizados pelos municípios em todas as etapas do registro contábil, desde o recebimento dos recursos até a execução das despesas; além do envio das informações ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), por meio da Matriz de Saldos Contábeis (MSC).

Na prática, a mudança busca fortalecer a transparência e facilitar o acompanhamento da aplicação desses recursos pelos entes públicos. Apesar de representar um avanço na padronização das informações fiscais, o tema das emendas parlamentares continua gerando debates no ambiente federativo, especialmente sobre sua operacionalização pelos governos locais.

Para os municípios, essas transferências frequentemente representam recursos importantes para investimentos e custeio de políticas públicas. Ao mesmo tempo, exigem atenção redobrada das equipes técnicas, diante das diversas regras, prazos e exigências de controle associadas à execução dessas despesas.

Muitas prefeituras, sobretudo as de pequeno porte, ainda enfrentam limitações técnicas e estruturais para acompanhar mudanças frequentes nas normas de classificação e registro contábil das transferências intergovernamentais. Nesse contexto, o movimento municipalista nacional avalia que a ampliação dos mecanismos de identificação contábil pode contribuir para maior transparência e controle das emendas.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) também reforça a necessidade de que a União considere a capacidade operacional dos entes locais na implementação dessas exigências.

Diante desse cenário, contadores públicos e gestores municipais devem observar atentamente os novos marcadores contábeis relacionados às emendas parlamentares, especialmente na elaboração do orçamento e na execução das despesas. A identificação incorreta desses recursos nos registros contábeis ou no envio da MSC ao Siconfi pode gerar inconsistências nas informações fiscais, apontamentos por órgãos de controle e dificuldades na comprovação da correta aplicação dos recursos públicos.

Fonte: Agência CNM de Notícias.