água estiveram no centro das discussões da 123ª Reunião Ordinária do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh), realizada, na quinta-feira (18), no auditório da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). A Aprece acompanhou os debates por meio de seu Analista de Desenvolvimento Rural, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Daniel Camurça.

Durante a reunião, conduzida pelo secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Ramon Rodrigues, foram apresentados dados sobre a quadra chuvosa de 2026 e as projeções climáticas para os próximos anos. O pesquisador da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Francisco de Vasconcelos Júnior, destacou que a estação chuvosa deste ano apresentou distribuição irregular das precipitações, com maior concentração de chuvas na região sul do Estado. Apesar da variabilidade observada entre fevereiro e março, o período registrou índices dentro da normalidade histórica para o Ceará.
A apresentação também trouxe um alerta para o cenário climático de 2027. Segundo os estudos da Funceme, há elevada probabilidade de formação de um evento de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com mais de 60% de chance de atingir intensidade forte no trimestre final do ano. O fenômeno poderá influenciar diretamente o comportamento das chuvas no Nordeste brasileiro.
Outro tema de destaque foi a situação dos reservatórios monitorados pela Cogerh. O gerente de Operações da companhia, Rodrigo Vasconcelos, informou que o volume acumulado de água nos açudes cearenses ao final da quadra invernosa de 2026 está abaixo do registrado no mesmo período de 2025. O sistema que abastece a Região Metropolitana de Fortaleza, formado pelos açudes Pacajus, Pacoti, Riachão e Gavião, encerrou o período com cerca de 60% da capacidade. Já os açudes Castanhão e Orós registraram aproximadamente 48% de armazenamento, reforçando a necessidade de uma gestão criteriosa dos recursos hídricos.

Na pauta deliberativa, os conselheiros aprovaram por unanimidade a minuta que estabelece os parâmetros de operação do Sistema Integrado Jaguaribe–Região Metropolitana de Fortaleza até janeiro de 2027. Já a proposta de revisão das regras de isenção da cobrança pelo uso dos recursos hídricos para as atividades de carcinicultura e irrigação teve sua análise adiada após pedido de vista apresentado por representante da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
Além da Aprece, participaram da reunião representantes da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), Cogerh, Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), FIEC, Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Comitês de Bacias Hidrográficas, Fórum dos Comitês, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA).
A participação da Aprece reforça o compromisso da entidade em acompanhar as discussões estratégicas relacionadas à gestão dos recursos hídricos, tema fundamental para o desenvolvimento sustentável e para a segurança hídrica dos municípios cearenses.
