Fechamento da usina de biodiesel vai atingir mais de dois mil trabalhadores

MOBILIZAÇÃO
27 de outubro de 2016

A decisão da Petrobras de sair da produção de biocombustíveis no País atinge diretamente a usina de biodiesel de Quixadá. A afirmação foi feita pela deputada Rachel Marques (PT) na tarde desta quarta-feira (26/10), durante a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa para a discutir o fechamento da usina de biodiesel de Quixadá a partir do 01 de novembro, conforme plano estratégico de investimento da Petrobras para o período de 2017/ 2021.

Segundo a parlamentar, que solicitou o debate, a intenção é buscar todas as alternativas possíveis para impedir o fechamento da usina, tendo em vista sua importância social. "O fechamento da usina vai atingir diretamente 134 trabalhadores e mais de dois mil agricultores familiares que tem contrato até 2020 com a usina para o fornecimento da mamona, que é uma das matérias-primas para a produção do biodiesel", afirmou.

O secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA), Dedé Teixeira, informou que o governador Camilo Santana (PT) solicitou ao presidente da Petrobras, Pedro Parente, que antes do fechamento da usina haja uma ampla discussão com a sociedade e o Governo do Ceará para encontrar alternativas e impedir o fim das atividades. "Uma alternativa seria promover incentivos para que haja uma migração, mesmo que seja preciso a Petrobras passar a usina para outra empresa e assim manter o empreendimento funcionando", informou.

Ainda de acordo com Dedé Teixeira, os países mais modernos estão aumentando a quantidade de biocombustível no óleo diesel em 20%, enquanto hoje, no Brasil, essa mistura é de apenas 5%. "O mundo caminha para a produção de energias sustentáveis", enfatizou.

Para Antônia Ivoneide, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o fechamento da usina representa a destruição das políticas públicas que os governos anteriores construíram para promover a inclusão social dos trabalhadores. "O fechamento da usina é uma ação irresponsável, porque a Petrobras não está levando em consideração a situação dos trabalhadores da usina nem a situação dos agricultores que têm contrato com a empresa", afirmou. Segundo ela, é necessária uma maior discussão para que seja encontrada uma saída durante esses seis meses de processo de desligamento. Antônia Ivoneide acredita que a entrada do Governo do Estado nessa discussão é de fundamental importância para garantir a continuidade do empreendimento em Quixadá.

"O impacto do fechamento da usina é bastante significativo, porque vai afetar não apenas Quixadá, onde a usina está localizada, mas todos os municípios da região que foram incentivados a voltar a produzir a mamona, que estava em extinção", afirmou Expedito José do Nascimento, presidente da Aprece. Para ele, a decisão da Petrobras vai gerar desemprego, não só em Quixadá, mas nos municípios do entorno da usina.

Também participaram do debate o secretário da Agricultura, Pesca e Aquicultura do Estado (Seapa), Odilon Aguiar; o secretário de Meio Ambiente do Estado (Sema), Artur Bruno; os deputados estaduais Osmar Baquit (PSD) e Mosiés Braz (PT) e o deputado federal Odorico Monteiro (Pros-CE); o prefeito de Quixadá em exercício, Wellington Xavier, e o prefeito eleito, Ilário Marques; o secretário de política agrícola da Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado do Ceará (Fetraece), Francisco de Almeida Carneiro; Ercília Amaral, da Rede de Catadores, e Alex Marques, da Cáritas, além de vereadores e trabalhadores agrícolas da região do sertão central.

Fonte: Assembleia Legislativa do Estado do Ceará